A pressão por sustentabilidade na indústria do plástico deixou de ser tendência e passou a ser exigência de mercado e regulatória.
Com a publicação do Decreto nº 12.688/2025, que regulamenta a logística reversa de embalagens plásticas no Brasil, empresas passam a ter metas obrigatórias de conteúdo reciclado e a necessidade de comprovar esse conteúdo de forma auditável.
Existe um ponto crítico que ainda passa despercebido por muitas indústrias.
Usar material reciclado não é o mesmo que comprovar o uso de conteúdo reciclado.
O que muda com a nova exigência de comprovação
A Política Nacional de Resíduos Sólidos já estabelecia a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Com o novo decreto, essa responsabilidade passa a exigir rastreabilidade e comprovação documental.
Na prática, as empresas precisam demonstrar:
- Origem do material reciclado
- Percentual de conteúdo reciclado nas embalagens
- Conformidade com metas estabelecidas
- Participação em sistemas reconhecidos de logística reversa
Sem isso, o risco é regulatório, comercial e reputacional.
Onde muitas empresas estão errando
Ainda é comum encontrar indústrias que acreditam que a adequação está resolvida ao adquirir PCR.
Esse é um erro.
Os principais pontos de falha incluem:
- Falta de documentação técnica
- Ausência de rastreabilidade
- Inconsistência entre fornecedores
- Dificuldade de comprovação em auditorias
Isso pode resultar em não conformidade, perda de contratos e riscos de questionamento sobre práticas sustentáveis.
O que uma auditoria realmente avalia
Auditorias internas, de clientes ou regulatórias costumam focar em três pilares:
- Rastreabilidade
Capacidade de identificar a origem do material reciclado até o produto final.
- Controle de processo
Garantia de que o conteúdo reciclado declarado corresponde ao utilizado.
- Documentação e evidência
Relatórios e certificados que comprovem conformidade.
Iniciativas como o Recircula Brasil, conduzido por ABIPLAST e ABDI, estruturam essa comprovação por meio de documentação padronizada.
Por que isso já impacta decisões comerciais
Empresas líderes já exigem de seus fornecedores:
- Comprovação de conteúdo reciclado
- Rastreabilidade da matéria-prima
- Conformidade com normas
Não se trata apenas de cumprir a lei, mas de manter competitividade na cadeia.
Como se preparar na prática
A adequação começa na escolha dos parceiros.
Para reduzir riscos, é fundamental:
- Trabalhar com fornecedores que ofereçam rastreabilidade comprovada
- Exigir documentação técnica e certificações
- Garantir consistência da matéria-prima
- Integrar áreas técnica, compras e compliance
Empresas que estruturam esse processo saem na frente em conformidade e posicionamento.
Conclusão
A nova fase da economia circular exige comprovação.
A diferença entre risco e vantagem competitiva está na capacidade de demonstrar a origem e a qualidade do conteúdo reciclado utilizado.
Se a sua empresa ainda não está preparada para esse nível de exigência, o momento de ajustar o processo é agora com um parceiro que ofereça rastreabilidade e certificação, como a Alcaplas.